Não se trata dos bots. Na verdade.
O Papa Leão XIV lançou sua primeira encíclica nesta segunda-feira. Ele o intitulou Magnifica Humanitas. No papel, parece um tratado sobre inteligência artificial. Ela se enquadra na salvaguarda da pessoa humana nesta nova era digital.
Olhe mais de perto. O gancho é tecnológico, mas o alvo é mais antigo. Muito mais velho. É sobre desigualdade. Guerra. A lenta podridão da democracia. A forma como o poder continua se acumulando em mãos que não se importam com o resto da humanidade.
Controle de Elite
O documento tem 200 páginas. Leo também não escreveu sozinho. Ele o apresentou com Chris Olah da Anthropic. O argumento é contundente. Um pequeno grupo construindo e governando a tecnologia não pode servir ao público. Nunca poderia.
O Papa coloca isso claramente no texto. Quando o poder se concentra em poucos, torna-se opaco. A supervisão pública morre. O desenvolvimento fica distorcido.
Isso cria dependência. Exclusão. Manipulação.
Cada grande mudança tecnológica amplifica aqueles que já têm dinheiro. Aqueles que detêm os dados. Leo ressalta que essas elites não têm apenas poder. Eles usam isso. Eles moldam a forma como consumimos informações. Eles estimulam os processos democráticos. Eles dirigem a economia para se beneficiarem.
“Como acontece com todas as grandes mudanças tecnológicas, a IA tende a amplificar o poder daqueles que já possuem recursos.”
Isso cai poucos dias depois que Trump fez uma pausa na assinatura de sua própria ordem executiva de IA. Essa ordem permitiria ao governo verificar novos modelos antes do lançamento. Os relatórios dizem que o investidor de capital de risco David Sachs o dissuadiu. Ex-czar da IA. Atual buscador de lucro. Mesmo padrão.
Leo quer supervisão. Mas não do tipo corporativo. Ele quer as comunidades afetadas presentes.
Ele também pede o fim da corrida armamentista. Pare de perseguir algoritmos maiores e conjuntos de dados massivos para obter domínio geopolítico. De qualquer maneira, é mentira. O poder técnico não significa que você tenha o direito de governar. Desarme a suposição.
Velhos problemas, novas telas
Por que estamos surpresos?
Nós vimos esse filme. Leão XIII escreveu Rerum Novarum em 1891. A Revolução Industrial teve o mesmo problema. Poder concentrado esmagando o garotinho.
Você nem precisa cavar tão longe.
Lembra quando Elon Musk comprou o Twitter? Lembra como ele exerceu a plataforma durante a eleição? Pense nas centenas de milhões de chefes de tecnologia investidos em Super PACs. Eles estão combatendo a regulamentação da IA com a diplomacia do talão de cheques. Esses padrões não inspiraram apenas a escrita de Leo. Eles são a escrita.
A indústria de tecnologia aumenta as apostas. Mas os jogadores continuam os mesmos.
A verdade está à venda
Paolo Carozza entende. Ele está na Notre Dame Law. Ele faz parte do Conselho de Supervisão Meta. Ele contou ao TechCrunch o que todo mundo está sussurrando. A desinformação da IA corrói a verdade.
Deepfakes não apenas nos confundem. Eles quebram a base da realidade política.
A coleta de dados é mais profunda. Ataca a liberdade cognitiva.
“A desinformação impulsionada pela IA corrói a nossa capacidade de reconhecer a verdade… colocando desafios fundamentais à liberdade cognitiva.”
Estamos sendo manipulados. Por algoritmos pertencentes a pessoas que não precisam de nós. O Papa apenas disse isso em voz alta. O resto é apenas barulho.






























